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Miguelópolis ainda é um lugar piscoso?

Atualizado: 7 de jan. de 2019

Posso dizer que os anos "dourados" de Miguelópolis - SP, foram entre 2008 a 2011. Saíam azulões diários, centenas de cardumes e muita diversão. Era difícil até de encontrar opções de hospedagem nas pousadas mais famosas, sempre lotadas e com resultados piscosos para turistas de todo canto.

Como em Serra da Mesa e outras represas por aí que deixarei para comentar em outro post, a represa do Rio Grande ficou famosa pela abundância do Tucunaré Azul e Amarelo. Também como em Serra da Mesa, com a fama, a pressão de pesca teve um "boom" de 2010 para cá e muitos linguiceiros (termo utilizado por pescadores esportivos para se referirem a matadores), começaram a aparecer.



Linguiceiro

“O linguiceiro não é aquele que leva um peixe ou dois, se fosse ainda estávamos marcando pescarias em Miguelópolis. O linguiceiro é aquele que leva sacos e sacos de peixes, de tudo quanto é tamanho”


Grande parte da responsabilidade por toda essa matança na represa também é por conta dos gestores das pousadas. Sem estabelecer qualquer tipo de cota de abate, visando apenas lucrar o máximo possível naquele frenesi de pescadores, ninguém impôs limites .


A cada nova temporada, menor foi a diversão!

Me lembro que a última vez que fui para Miguelópolis foi em 2014. Que decepção. Dava para contar nos dedos a quantidade ação que tive por dia. Peixes então, quase que só alevinos, os grandes eram um ou dois que davam as caras. A pousada vazia, mesmo com preços baixos. Piloteiros comentando a realidade, dificuldade e alguns até pensando em mudar de ramo ou de represa.


Mas será que ainda há recuperação?

Acabar com a espécie é difícil, ela se adapta, se esconde, muda seus hábitos na medida do possível, mas com certeza não serve mais para o propósito do esporte.

Ao menos não serve ainda. Não precisa ser biólogo para saber que diminuindo a pressão de pesca por um bom tempo a espécie volta a repovoar a represa, de maneira gradativa. Se faz necessário primeiro um esforço gigantesco de conscientização. E não estou falando dessa nova geração de pescadores, inspirados em dezenas de programas de pesca na TV, falo dos antigos, de nossos pais e avôs. É a cabeça deles que precisamos mudar! Até mesmo os que trabalham com isso, piloteiros, donos de rancho e pousadas, precisam entender que privilegiando o pesque e solte, aquela atividade que gira em volta do turismo de pesca será constante e duradoura.

Dê o exemplo


É comum na pescaria você testemunhar um amigo, parente ou até parceiro de pesca que fisga um belo troféu e sente a necessidade de levá-lo para casa, de mostrar para os amigos, de fazer um churrasco e se vangloriar da sua captura. Acontece que é justamente aquele belo exemplar que colabora de forma significativa com a manutenção da população de peixes, se alimentando até mesmo de sua própria espécie, povoando um pequeno território em uma imensidão de represa. Já pensou se em cada pequeno território, em cada ponto pitoresco, em cada toco, fosse habitado por um belo exemplar de tucunaré? Existem ainda alguns lugares, como o Lago do Peixe - To, que são assim. Mas não se engane, esses locais são preservados pela distância da civilização, do contrário seriam apenas lugares de belas histórias. Então, convença seu amigo a soltar aquele peixe, aconselhe-o a levar um menor, até dois, mas a matriz volta pra água.


Não sei se Miguelópolis - SP voltará a ser uma ótima opção de prática do esporte, talvez com uma cota zero por alguns anos, a espécie retornará. O que posso afirmar com certeza, é que fazendo esse trabalho de formiguinha, espalhando a necessidade da conscientização e explicando os benefícios da exploração econômica que gira em torno do turismo de pesca esportiva, podemos aos poucos, fazer a diferença.


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